Várias vezes cheguei a tomar a
decisão de não te amar mais.
De não querer mais sentir meu
coração se derretendo quando você me olha nos olhos e me dá um beijo suave, ou
um calor nas bochechas quando você me diz que sou bonita após alguns segundos
me olhando. Ou como eu gosto secretamente quando você me dá um tapa na bunda e
me chama de “mulher”. Ou como você faz cafuné em mim até dormir. Ou quando
você, meio dormindo, me puxa no meio da noite pra me aconchegar nos teus braços
(que são sempre o lugar onde eu quero estar).
Não quero mais sentir o coração
dar um triplo mortal carpado quando você fala comigo pelo whatsapp “inesperadamente”
(mas que na verdade eu passei o dia esperando). De como você sempre me puxa protetoramente
para o lado de dentro da calçada quando estamos andando na rua. De quando você
prepara o café da manhã pra mim e sempre pergunta se ficou bom o capuchino
batido que você sempre faz igual. De como eu gosto da sua risada e dos beliscões
que você dá quando eu tiro uma onda com a sua cara. De como a gente se entende
tão bem nos momentos mais íntimos. De como um de nós fala uma coisa nada a ver
e o outro dá corda e contribui para o quadro.
Não quero sentir falta de você
vindo empolgado me contar sobre o progresso na sua nova casa, ou de algum êxito
no trabalho. Dos nossos planos de sairmos do país, não sem antes eu te ensinar
inglês e você me ensinar libras. De como planejamos ter uma parceria na empresa
de foto e vídeo.
De tantos detalhes que não
consigo lista-los todos aqui. Quero simplesmente não querer mais tudo isso. Não
quero mais você.
...
Mentira.
Te quero como sempre quis, até
mais. O que eu não quero mais é ter que ter tudo isso e dividir com mais “alguéns”.
De saber que no momento em que e viro as costas (ou quando ainda estou contigo),
após um fim de semana super agradável, você já vai fazer contato com as suas
outras mulheres. De saber que, apesar de ser “a oficial”, eu sou mais uma no
meio delas. De que eu não sou especial pra você como você é para mim. De como
você não vai sentir a minha falta durante a semana como eu sinto a sua.
Não quero mais ter que fingir que
está tudo bem quando eu sei que você está com elas (porque na maioria das
vezes, eu sei). De ter que passar por
cima do meu orgulho durante meses a fio.
O meu excesso de amor por você
está fazendo faltar amor, por mim. Meu amor próprio anda tão desprezado que eu
me pergunto se ele ainda existe. E eu percebi o quão injusto é não dar
prioridade à pessoa que vai passar o resto dos dias comigo mesma: eu.
Não se trata de egoísmo. Egoísmo
é pensar em si mesmo em detrimento dos outros. Nesse caso, como o fato de eu me
priorizar não vai te afetar, não terei culpa no cartório.
Portanto, estou indo embora, ok?
Não estou desistindo de nós. Em hipótese alguma eu deixei de te amar e acho que
não deixarei de fazê-lo durante anos. Só estou cortando pela raiz o mal que me
consome a cada dia, que me mata aos poucos.
Eu não nasci para ter migalhas.
Eu quero alguém que esteja comigo de verdade, não apenas em partes. Eu não quero
ser apenas uma distração de fim de semana, eu quero ser a companhia de uma
vida. Eu quero poder acordar todos os dias e não sentir aquela familiar pontada
de tristeza que acompanha pelo dia todo.
Enfim, estou reunindo o pouco de
coragem que me resta para dizer não. Para dizer não a você, para dizer não às
minhas doses de felicidade momentâneas e dizer sim a uma vida livre. Livre da
dependência que eu tinha de receber um sorriso seu, um carinho, um boa noite.
Então tchau, amor. Eu vou ali
tentar ser feliz sem você. Se quiser, se um dia sentir a minha falta, pode se
juntar a mim. Será um prazer juntar a minha felicidade com a sua, juntar seu
inteiro com o meu inteiro, e não mais com a metade que eu estou deixando de
ser.

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