quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Daí...




Daí você conhece uma pessoa que te faz sentir como se uma corrente elétrica atravessasse seu corpo ao menor toque. E você se sente atraído por ela como se fossem dois polos opostos de um imã. E quando você menos espera, percebe que a ligação entre vocês é mais forte do que poderia se imaginar numa situação dessas. E daí você percebe que sua vida fica muito mais colorida por tê-la por perto. E daí vocês começam a brincar numa dança, num faz-de-conta, e aos poucos você vai desejando que a brincadeira seja realidade, e ela passa a virar sonho. Um sonho que você cultiva e rega todos os dias, na certeza de que dará bons frutos, os mais belos possíveis.
E daí...
Daí, de repente, tudo desmorona, sem aviso. E em meio ao caos, você vê uma luz, e tenta juntar as peças do seu brinquedo, para montá-lo novamente. Você vira equilibrista para não deixar cair nenhuma peça. Você luta contra a onda que insiste em derrubar seu castelo de areia. E você começa a perceber o quão difícil é lutar sozinha por algo que pertence a dois. Que o guarda do seu castelo de areia está mais interessado nas moças de biquíni do que na proteção do castelo. E você começa a desmoronar, junto com as paredes de areia.
E daí, você procura forças em todos os cantos. Você não quer abrir mão dos sonhos que cultivou com tanto carinho, daquela flor que era apenas um botão e nem teve tempo de florescer. E começam a crescer os espinhos. Não na flor, mas em você. E você começa a repelir qualquer tentativa de salvação, você fica apática, na defensiva com seus espinhos, apenas recebendo as rajadas de vento e as ondas que batem contra as paredes do seu coração.
E daí que você olha para dentro e vê que, em meio aos espinhos, atrás das pedras, brotando da terra, ainda há o botão de flor. E se você olhar bem, o botão emana uma luminescência tímida, quase imperceptível. Mas está ali. E você percebe que, mesmo sem mais lutar, a luz daquele sonho não se apagou. Então você decide ser forte, por ele. Sem lutas, sem tentar barrar as ondas. Apenas deixando que a maré dite o ritmo da sua vida, mas sem levar embora aquele botão de sonho, tão frágil, tão precioso. Porque um dia a tempestade pode cessar e ele terá seu espaço para crescer, para existir, para deixar de habitar o mundo imaginário e ser parte integrante da vida.

E daí, a felicidade. E daí, o amor. 

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