Daí você conhece uma pessoa que te faz sentir como se uma corrente elétrica atravessasse seu corpo ao menor toque. E você se sente atraído por ela como se fossem dois polos opostos de um imã. E quando você menos espera, percebe que a ligação entre vocês é mais forte do que poderia se imaginar numa situação dessas. E daí você percebe que sua vida fica muito mais colorida por tê-la por perto. E daí vocês começam a brincar numa dança, num faz-de-conta, e aos poucos você vai desejando que a brincadeira seja realidade, e ela passa a virar sonho. Um sonho que você cultiva e rega todos os dias, na certeza de que dará bons frutos, os mais belos possíveis.
E daí...
Daí, de repente, tudo desmorona,
sem aviso. E em meio ao caos, você vê uma luz, e tenta juntar as peças do seu
brinquedo, para montá-lo novamente. Você vira equilibrista para não deixar cair
nenhuma peça. Você luta contra a onda que insiste em derrubar seu castelo de
areia. E você começa a perceber o quão difícil é lutar sozinha por algo que
pertence a dois. Que o guarda do seu castelo de areia está mais interessado nas
moças de biquíni do que na proteção do castelo. E você começa a desmoronar,
junto com as paredes de areia.
E daí, você procura forças em
todos os cantos. Você não quer abrir mão dos sonhos que cultivou com tanto
carinho, daquela flor que era apenas um botão e nem teve tempo de florescer. E
começam a crescer os espinhos. Não na flor, mas em você. E você começa a
repelir qualquer tentativa de salvação, você fica apática, na defensiva com
seus espinhos, apenas recebendo as rajadas de vento e as ondas que batem contra
as paredes do seu coração.
E daí que você olha para dentro e
vê que, em meio aos espinhos, atrás das pedras, brotando da terra, ainda há o
botão de flor. E se você olhar bem, o botão emana uma luminescência tímida,
quase imperceptível. Mas está ali. E você percebe que, mesmo sem mais lutar, a
luz daquele sonho não se apagou. Então você decide ser forte, por ele. Sem
lutas, sem tentar barrar as ondas. Apenas deixando que a maré dite o ritmo da
sua vida, mas sem levar embora aquele botão de sonho, tão frágil, tão precioso.
Porque um dia a tempestade pode cessar e ele terá seu espaço para crescer, para
existir, para deixar de habitar o mundo imaginário e ser parte integrante da
vida.
E daí, a felicidade. E daí, o
amor.

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