Aquele alívio de ver suas fotos e ver que não preciso mais de você.
Que não preciso mais das borboletas que você punha a voar no meu estomago, das estrelas que você me fazia enxergar mesmo quando era dia. O triunfo interior de olhar para sua imagem e achar defeitos, de sentir que o ritmo dos meus batimentos não havia se acelerado durante tal análise.
O sentimento leve de ouvir sua voz dentro da minha cabeça pela milésima vez e me soar apenas como a voz normal de alguém conhecido. De resgatar na memória o seu cheiro e perceber que não fecho mais os olhos na esperança de senti-lo.
Aaah, o alívio... o alívio de não pertencer mais a você.
Mas bem que ele - o alívio! - podia ter durado. Bem que eu podia ter ficado sem te ver. Por que é que a vida insiste em mover os peões no tabuleiro e colocá-lo a minha frente?
Sua imagem em movimento, sua voz não mais imaginária, seu cheiro que eu sentia mesmo sem fechar os olhos... tudo isso fez com que meu alívio se inquietasse, desconfortável.
Eu, que estava impassível, agora ia aos poucos me desmanchando, como um castelo de areia em meio a rajadas de vento. Rajadas de olhos, voz, lábios, ombros largos, mãos, gestos.
Por favor, parem! Devolvam o concreto do meu castelo de areia!
E lá estava ela. Aquela pontadinha no peito, velha conhecida, debaixo dos escombros. Estava dormindo, né, sua traiçoeira? E eu achando que tinha te eliminado de vez!
E agora lá vou eu, mais uma vez, juntar os cacos do meu castelo, reconstruir meu coração, pra deixar você de fora e não sentir mais a sua falta.

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